Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007

#4 «Berlim, vida ou morte» de Miguel Ezquerra

CONFISSÕES DE UM VOLUNTÁRIO ESPANHOL NA DEFESA DO BUNKER DE A. HITLER
Preço: EUR 14,70 / EUR 13,23 (10% de desconto)
ISBN: 978999537736

Ano de Edição: 2007
N.º de Páginas: 216 (14 págs. de fotografias)
Dimensões: 15 x 23 cm

Miguel Ezquerra, o autor deste livro, integrou-se inicialmente na 11ª Divisão de Voluntários Nordland, dos Granadeiros-Panzer das SS, com o posto de SS-Haupsturm-führer. Mas, sob o seu comando, uma parte da força espanhola foi por fim agrupada na Spanische-Freiwillegen Kompnie der SS 101/102 (a Companhia 101/102 de Voluntários Espanhóis nas Waffen SS, mais conhecida por «Batalhão Ezquerra»). Esta foi a unidade de combate espanhola que, nos últimos dias da guerra, as tropas soviéticas (que chegavam com uma esmagador vantagem numérica de 10 para 1) encontraram na defesa do coração de Berlim e do bunker de Hitler, lado a lado com esquadrões imberbes da Juventude Hitleriana e forças desgarradas de veteranos da Volkssturm.

Ao «Batalhão Ezquerra» foi destinada a defesa da zona situada entre as ruas Göring, Friedrich e Unter den Linden. Era – todos o sabiam
já – uma missão impossível. O próprio Haupsturmführer aragonês o diria, à sua maneira, muitos anos depois de terminada a guerra: «A minha unidade era formada por todos aqueles que queriam honrar o seu juramento. Não eram uma tropa mercenária, mas homens iluminados por um ideal e dispostos a defender um dos últimos redutos da Civilização, ameaçado pela maré vermelha». É desses últimos dias de hecatombe em Berlim que Miguel Ezquerra se ocupa neste seu livro.


Quarta-feira, 11 de Julho de 2007

#3 «Antes de Hitler chegar – As origens da sociedade secreta de Thule» de Rudolf von Sebottendorff

Preço: EUR 15,75 / EUR 14,18 (10% de desconto)
ISBN: 9789899537729
Ano de Edição: 2007
N.º de Páginas: 204 (estudo introdutório de 30 págs. e 4 págs. de fotografias)
Dimensões: 15 x 23 cm


Nazismo e esoterismo
Em 1933, pouco depois de Hitler ter chegado ao poder, um exótico agitador ocultista publicava em Munique um livro que haveria de alimentar, nas décadas seguintes, toda a sorte de especulações sobre a verdadeira genealogia do nazismo. Em Antes de Hitler chegar (era esse o título da obra), o seu autor, Rudolf von Sebottendorff, afirmava que o movimento nacional-socialista alemão nascera, afinal, no seio de uma sociedade esotérica da capital bávara e que o seu chefe fora financiado e industriado por um pequeno grupo de «iluminados» místicos que pretendiam estar em contacto com os «arianos superiores». O facto de Sebottendorff ter sido um dos primeiros compagnons de route na caminhada dos nazis para o poder não impediu a polícia de confiscar-lhe o livro e expulsá-lo do país.
Tanto durante o período nazi como depois, muitos foram os autores que partiram das revelações de Sebottendorff para investigações de profundidade sobre a verdadeira relação dos nazis com os movimentos místico-ocultistas que então proliferavam na Alemanha, em especial na Baviera. Em torno desses estudos foi-se criando, com a passagem dos anos, uma lenda de ligações secretas e tenebrosas que com frequência resvalou para o domínio delirante da fantasia. Por exemplo, uma das histórias mais divulgadas (e que se baseia na meia-verdade de Sebottendorff ter sido iniciado no Rito maçónico de Memphis) sugere ter sido a Maçonaria a verdadeira «criadora» de Hitler – um nonsense que, apesar do óbvio absurdo, ainda hoje encontra arautos.
Para compreender inteiramente as graves questões levantadas pelo livro de Rudolf von Sebottendorff, importa conhecer as circunstâncias históricas do movimento ocultista bávaro em que floresceu o nacional-socialismo e surgiu o seu chefe. O pano de fundo em que decorre o primeiro acto do drama nazi tem duas cores: o negro do desânimo, acentuado pela derrota da Alemanha na I Grande Guerra; e o vermelho de um conflito terminal, inflamado pela instauração do regime esquerdista na Baviera entre Novembro de 1918 e Maio de 1919 – e contra o qual se levantaram, sem excepção, todos os movimentos e grupos teóricos völkisch da região e do país. Sem se entender este quadro político não é possível entender a atmosfera esotérica bávara de entre 1918 e 1933 – e muito menos o aparecimento da «via salvadora» do nacional-socialismo.
Antes de Hitler chegar é um livro «forte» para a sensibilidade do leitor actual: como adiante veremos, ele reflecte a violência da linguagem política do seu tempo e um choque estrondoso entre diferentes concepções do mundo. Sem moderação ou diplomacia, e seguindo a moda do período, Sebottendorff revela a dimensão mais sombria do anti-semitismo que se apossara da Europa – com destaque para a Alemanha, em cuja «estufa» foi concebida e acarinhada a cultura nazi.

Por incómodo ou cru que possa parecer, este livro de Sebottendorff constitui uma lição de História. Não só fornece elementos preciosos para o estudo do advento de uma das mais poderosas formulações totalitárias do século XX, como expõe, sem peias ou circunlóquios, a ténue fronteira que separa a espiritualidade das suas mais prosaicas aplicações profanas. Pode ser lido como um aviso – sem perder o seu valor documental e histórico. É, aliás, como parte integrante da História que o seu autor se posiciona: narrador e intérprete, o fundador da Sociedade de Thule surge neste trabalho como «intermediário» de um plano que, conquistando a Alemanha, se proporia de seguida conquistar o mundo.

Domingo, 10 de Junho de 2007

#2 «Protocolos dos Sábios de Sião - História de uma fraude e seu aproveitamento»

Preço: EUR 19,95 / EUR 17,96 (10% de desconto)
ISBN: 9789899537712
Ano de Edição: 2007
N.º de Páginas: 266
Dimensões: 15 x 23 cm
Os chamados Protocolos dos Sábios de Sião, que incluímos, em versão integral, neste livro, constituem a mais pérfida das falsificações da História contemporânea. À sua sombra nasceram e cresceram as modernas mitificações racistas do anti-semitismo europeu. Em seu torno construiu-se um corpo doutrinário de ódio e extermínio. Em seu nome houve quem perseguisse, humilhasse, torturasse e matasse. Estamos, portanto, na presença de algo que é mais do que um livro: no implacável tribunal da História, os Protocolos são também uma prova de acusação pelos muitos crimes que, à sua invocação, foram cometidos desde há um século.

Na verdade, os Protocolos não são exactamente um problema “do passado”. Embora exposto desde 1921 como fraude grosseira, este livro mantém-se ainda hoje como manual de guerra e terrorismo, especialmente nas zonas do globo onde a cegueira humana rebaixou o valor da vida aos níveis primitivos da barbárie. A sua difusão, como obra pretensamente séria e fidedigna, continua a ser fomentada por governos e exércitos apostados em negar a uma parcela da Humanidade o seu direito à existência. Só isto bastaria para nos impormos a tarefa de recordar, denunciar e alertar – tarefa cada vez mais necessária num Ocidente adormecido no seu bem-estar, na sua indiferença, na sua distância.

Se em muitos outros países a mentira foi revelada, discutida e exposta com suficiente força e vigor, em Portugal ela tem beneficiado de um estranho “complexo de avestruz” que prefere enterrar o que é incómodo nas areias movediças do esquecimento e da ignorância. Apenas três edições dos Protocolos dos Sábios de Sião foram feitas no nosso País: uma (claramente anti-semita) em 1923, outra (assumidamente humanista) em 1938, uma última (de tons dúbios) em 1976. O que pretendemos, com a presente edição, é modestamente contribuir para a correcção deste equívoco histórico e proporcionar ao público português uma leitura crítica de uma das obras mais odiosas da vida contemporânea.
Inclui o texto integral dos «Protocolos» e um prefácio de 90 páginas de texto e ilustrações com o seguinte índice: O que dizem os Protocolos; De plágio em plágio; A mentira desloca-se para Oriente; O papel do Times de Londres; O processo de Berna; Os pioneiros da “autenticidade”; Teorias da conspiração; Anti-semitismo e anti-maçonismo; O que se passou em Basileia; Como fogo em palha seca; Anti-semitismo soviético; Os Protocolos e a Alemanha nazi; Os Protocolos no Mein Kampf; Refutações históricas; Os Protocolos no mundo árabe; A telenovela dos Protocolos; Os Protocolos chegam a Portugal; O caso português; Bibliografia de referência; Bibliografia portuguesa.

Terça-feira, 17 de Abril de 2007

#1 «Como se levanta um Estado» de Oliveira Salazar

Preço: EUR 16,80/ EUR 15,12 (10% de desconto)

ISBN: 9789899537705
Ano de Edição: 2007
N.º de Páginas: 136
Dimensões: 15 x 23 cm

Este livro que agora editamos – e que é praticamente desconhecido do público português – constitui, a vários títulos, um “pequeno dicionário” da ideologia salazarista e da doutrina do Estado Novo. Nele, Salazar procede a uma análise dos factores que conduziram ao movimento militar de 28 de Maio de 1926 e à Ditadura. Enuncia a sua política de saneamento financeiro. Define as bases ideológicas do Estado Novo. Estabelece os parâmetros da actividade económica no novo regime. Teoriza sobre o papel da família, da educação, das forças armadas. Posiciona-se perante as grandes opções políticas do seu tempo e fixa a política externa.

Como nasceu esta obra?
Em meados de 1936, um emissário da editora francesa Flammarion negociou com António de Oliveira Salazar a publicação de um livro que, resumindo as opções políticas e a acção governativa do Estado Novo, constituísse o «cartão de visita» do pavilhão de Portugal na Exposição Internacional de Paris, a realizar entre Maio e Novembro de 1937. É esse livro que o leitor tem hoje nas mãos, na sua primeira grande edição em língua portuguesa. Ignorado no nosso País durante décadas, Como se levanta um Estado mantém-se, pelas suas características singulares, uma obra indispensável na análise do fenómeno salazarista e no estudo de um período determinante da história política nacional.
A publicação de uma “cartilha do salazarismo”, que pela sua dimensão, o seu preço acessível e a sua simplicidade de linguagem alcançasse o grande público – tornara-se em 1937 uma necessidade premente. Num quadro de época em que várias ditaduras abalavam as certezas do velho continente, experimentando fórmulas extremas e revolucionando o antigo equilíbrio de forças, com a guerra civil devastando a Espanha e prenunciando um conflito de dimensões mundiais, a Europa não vira ainda satisfeita a sua curiosidade sobre o político que em Lisboa restabelecera o equilíbrio das finanças públicas e se tornara o chefe do Estado Novo.
Para Salazar, tratava-se de uma oportunidade única. A Exposição Internacional das Artes e Técnicas de Paris seria, depois da grande Exposição Colonial de 1931, a maior Feira mundial da década e uma das maiores do século. Instalada no centro da capital francesa, servida pelos últimos avanços tecnológicos e exibindo uma grandeza que não faria adivinhar a próxima queda da França sob o ocupante alemão, a Expo-37 acolheu pavilhões de dezenas de países e recebeu mais de 30 milhões de visitantes. O pavilhão de Portugal, por força do interesse (positivo ou negativo) despertado na Europa pelo novo regime, estava destinado a receber grande número de visitantes. Salazar sabia-o; e, ao longo do ano que antecedeu a abertura da Exposição Internacional, acompanhou pessoalmente os trabalhos preparatórios a cargo do Secretariado da Propaganda Nacional, dirigido por António Ferro. Da concepção do pavilhão português incumbiu-se o arquitecto Francisco Keil do Amaral. A decoração foi entregue a um comité de artistas de que fizeram parte, entre outros, o luso-suíço Fred Kradolfer e os jovens Carlos Botelho, Maria Keil e Bernardo Marques. Os pintores Dórdio Gomes, António Soares, Guilherme Camarinha, Eduardo Malta e Abel Manta, entre inúmeros outros, contribuíram com painéis; o escultor Canto da Maya realizou baixos-relevos de sabor histórico; Paulo Ferreira desenhou azulejos; António Lopes Ribeiro exibiu a longa-metragem A Revolução de Maio. E o escultor Francisco Franco apresentou a sua estátua de Salazar, de corpo inteiro, com capelo e borla doutorais, que lhe havia sido encomendada por Ferro e haveria de figurar igualmente na Exposição do Mundo Português, em Lisboa, em 1940. Todos os artistas portugueses regressaram de Paris medalhados.
Em 25 de Maio de 1937, o Presidente Albert Lebrun inaugurava a Exposição Internacional. E o livro de Oliveira Salazar, com o título Comment on relève un État – em tradução directa, Como se levanta um Estado –, era posto à venda pela Casa Flammarion, integrado na sua colecção «Directives», ao preço avulso de 2,25 francos. No mesmo ano, respondendo à exigência do público francês e europeu, Salazar autorizaria ainda a publicação, em Paris, de uma compilação dos discursos que proferira entre 1928 e 1936: Une révolution dans la paix, com tradução da escritora Fernanda de Castro, mulher de António Ferro, e prefácio de Maurice Maeterlinck, celebrado autor de Pélleas et Mélisande e d’A Vida das Abelhas, a quem em 1911 fora atribuído o Prémio Nobel da Literatura. Poucos anos mais tarde, fugindo à ocupação da França e da Bélgica pelos nazis, Maeterlinck haveria de refugiar-se em Lisboa, onde seria um dos fundadores do Círculo Eça de Queiroz.
Como se levanta um Estado não tem figurado nas bibliografias referentes a Salazar. Permaneceu, assim, desconhecido da generalidade dos portugueses durante largas décadas. Contudo, o facto de se ter tornado na Europa uma verdadeira “sinopse da política salazarista” faz desta pequena obra uma peça rara de doutrina e propaganda.
Que significado tem este livro para os portugueses de hoje? Para além da sua relação com o Portugal de uma época e com a política então seguida entre nós, poderá ele aclarar facetas menos estudados das relações de Portugal com a Europa e o mundo? Que aspectos se podem considerar ainda merecedores de reflexão, susceptíveis de estabelecer relações com a identidade portuguesa ou com problemas que persistem há séculos na agenda nacional? Estará esta reflexão irremediavelmente “datada” na sua circunstância? Ou conseguirá ela alcançar um debate sem tempo e sem limite?
Aos editores apenas compete pôr a obra à disposição do público e dos especialistas. É o que agora fazemos, 70 anos certos depois da edição original.

Os Editores